Jeff Gillette confronta a realidade e a fantasia com a série Dismayland

Posted by | Posted in , | Posted on 28.4.10

Não, a vida não é um parque de diversões. Pelo menos é o que mostra a série Dismayland, coleção de ilustrações de Jeff Gillette que contrapõe de modo impactante as diferenças entre países de primeiro e terceiro mundo.

Usando os símbolos dessas realidades antagônicas - respectivamente os clássicos personagens da Disney e infectas favelas - as imagens mostram que um espaço sem saneamento básico, moradias adequedas e condições mínimas de conforto e segurança realmente está longe de ser um lugar mágico.

Atualmente, a série está exposta na CoproGallery, em Santa Mônica, na Califórnia.

Fonte: Zupi

São paisagens inspiradas nos reais cenários das periferias dos centros urbanos pelo mundo afora, confira:

































































































































































Confira abaixo outros trabalhos de Jeff Gillette que também questionam as condições humanas em que as sociedades das áreas urbanas vivem, apontando com clareza que o sistema capitalista é um dos grandes culpados desse cenário:










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O que eu nunca aprendi sobre os índios

Posted by | Posted in , | Posted on 19.4.10


Na escola sempre foi ensinado que no dia 19 de abril se comemora o "Dia do Índio". Lembro que a professora fazia brincadeiras imitando tribos, dançando e batendo a mão na boca, tudo isso com cocás e pinturas nos rostos para nos fantasiar a carater. Também recebiamos desenhos em branco para colorir que quase sempre consistia em um indiozinho no estilo Turma da Mônica. Tudo isso para chegarmos em casa e a nossa mãe ficar orgulhosa de ver o filho aprendendo sobre o folclore brasileiro…

Peraí! Folclore?

É isso mesmo! Toda essa maneira de nos ensinar o que é um índio fez a nossa sociedade ver os povos indígenas como estranhos, distantes o bastante para, caso nos deparessemos com um, olharmos para ele como se fosse um animal exótico em extinção. Habitante das profundesas da floresta.

Nunca me ensinaram a ver os povos indígenas como seres humanos que habitavam essas terras, que foram e ainda são exterminados pelo interior do Brasil. Até no colegial a importância dada para os índios era a mínima. Nunca houve uma discussão profunda para fazer o aluno repensar seus conceitos a respeito. Fomos educados apenas para vê-los como bichos, para associá-los ao Saci-Pererê, à Mula-Sem-Cabeça, ao Curupira…

"Com base no conhecimento adquirido na graduação em pedagogia sobre o fazer pedagógico em uma perspectiva construtivista é possível notar mediante as experiências vivenciadas no colegiado que há alguns anos a figura do índio na escola era totalmente baseada numa ideologia onde todas as crianças deveriam estar vestidas de penas, pintadas de tinta guache, com garrafas peti, milhos e feijões simbolizando um instrumento de som, aprendia também que índio era preguiçoso, e fazia bububu com mão na boca, situação esta que até a música cantada pela Xuxa fixava-se nesse paradigma e não focalizava a real vivencia cultural, religiosa e social do índio."

Leia o texto completo em Recanto das Letras.


E se pararmos para pensar no termo "ÍNDIO"? Quem disse que eles queriam ser chamados de índios? Uma referência ao caminho das navegações européias à Índia? Pois é, não posso esquecer que no ensino fundamental me ensinaram que Cabral descobriu o Brasil "sem querer querendo"… Houve um "desvio" na rota para à Índia, não é?

Abraça!

A verdade é que nunca me ensinaram nada, absolutamente nada sobre os povos indígenas na escola. Hoje ainda sinto uma extrema dificuldade de conseguir materiais, até mesmo na internet se pouquíssimas coisas. Não sabemos nada sobre os HABITANTES ORIGINAIS, os verdadeiros donos dessa terra. Esse é um dos motivos que me faz não acreditar em propriedade privada, pelo menos no Brasil. Quando alguém reclama que a sua casa foi pixada, eu pergunto: Quem disse que essa casa é sua? É por que você comprou o terreno? É por que comprou o cimento, a areia e o tijolo? E de onde veio o cimento, a areia e o tijolo? De outra terra? E de quem era essa terra? Quem comprou dos habitantes originais?


Os Habitantes Originais dessa terra a tiveram roubada. A sua cultura foi destroçada junto com sua descendência, milhares de línguas desapareceram substituídas pelo português. O Pior é que nem considero o extermínio por razões étinicas. Olhando apenas pelo ponto de vista capitalista vejo que o apenas o desejo pelo poder é capaz de gerar esse genocídio!



Abaixo, alguns fatos sobre o extremínio histórico e atual dos índios:

"Depois dos ataques de 11 de setembro, que derrubaram as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, e danificaram o Pentágono, em Washington, aumentam os temores, em todo o mundo, do terrorismo bacteriológico.

Para os índios no Brasil, esse tipo de estratégia de extermínio não é novidade. Ao longo da história do "contato" com os brancos, além dos relatos de doenças transmitidas por eles, contra as quais os índios não tinham defesas imunológicas e por isso acabavam morrendo, juntam-se histórias que apontam para a contaminação criminosa, embora não tenham sido cientificamente comprovadas."

Fonte: Índios no Brasil foram vítimas de guerra bacteriológica! - SocioAmbiental.org


"Muitas das tribos que existiam no país à época de Cabral desapareceram, quer absorvidas na sociedade dos colonizadores, quer dizimadas pela violência a que os índios em geral foram submetidos durante os últimos cinco séculos. Nesse período, nações inteiras foram massacradas ou escravizadas, explícita ou disfarçadamente, ou morreram de doenças e fome depois que suas terras foram tomadas e seus meios de sobrevivência foram destruídos. A catequização por missionários europeus levou ao desaparecimento de suas crenças religiosas e outras tradições culturais; e a relocação forçada provocou enorme mistura de povos. Muitas das comunidades indígenas que ainda sobrevivem enfrentam miséria, doenças, descaso das autoridades e discriminação pelo resto da sociedade."

Fonte: Wikipedia


"Estimativas da população indígena na época do descobrimento apontam que existiam no território Brasileiro, mais de mil povos, sendo cinco milhões de indígenas. Hoje em dia, são 227 povos, e sua população está em torno de 400 mil. As razões para isso são muitas, desde agressão direta de colonizadores a epidemias de doenças para as quais os índios não tinham imunidade ou cura conhecidas.
Durante o século XIX, com os avanços em epidemiologia, casos documentados começaram a aparecer, de brasileiros usando epidemias de varíola como arma biológica contra os índios. Um caso "clássico", segundo antropólogo Mércio Pereira Gomes, é o da vila de Caxias, no Sul do Maranhão, por volta de 1816. Fazendeiros, para conseguir mais terras, resolveram "presentear" os índios timbira com roupas de pessoas infectadas pela doença (que normalmente são queimadas para evitar contaminação). Os índios levaram as roupas para as aldeias(...)"

Fonte: Wikipedia


"(…) No interioir da Amazõnia, o índio é escravizado pelo seringueiro, pelo castanheiro e pelo caucheiro. (…) Os índios de São Paulo, Paraná e Rio Grande do Sul são irreversíveis. Nunca mais voltarão a ser aldeados. (…)"
Fonte: Scribd




Para finalizar, ouça essa música feita pelo grupo Brô Mc's:

Brô MC´s - Eju OrendivebyColetivo

Fonte: MTV (Coletivo)

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Broken Fingaz -Graffiti Stop Motion

Posted by | Posted in , | Posted on 18.4.10


Broken Fingaz -Graffiti Stop Motion from Broken Fingaz on Vimeo.

Seguindo a linha dos trabalhos em vídeo do artista Blu, essa é a primeira animação stop-motion feita por Tant e Unga da "Broken Fingaz Crew" de Israel.

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Graffiti 19 - Trailer

Posted by | Posted in , , | Posted on 17.4.10

Trailer do documentário português "Graffiti 19".



Graffiti Writers: Ram, Odeith, Typer, Uber, Joker, Mar, Syga, Nomen. video by Pedro Fidalgo.

Graffiti 19 (50 minutos)


Sinopse
O documentário intitulado Graffiti 19 é o resultado de um projeto promovido e financiado pelas Estradas de Portugal e organizado pelo coletivo GRRAU, tendo por objetivo a reabilitação estética de uma área particular do IC19 (Cacém - Concelho de Sintra), através da linguagem visual do graffiti. Produzido neste âmbito o documentário não se limita a uma mera abordagem do processo decorrido ao longo de mais de um mês, constando da pintura de três largos murais por diversos graffiti-writers convidados e provenientes da zona de Sintra. Pretendeu-se, através deste filme, abordar o graffiti como uma linguagem estética contemporânea, procurando entender o seu sentido histórico e as motivações daqueles que pintam a cidade através de spray. O graffiti nascido há mais de três décadas em Nova Iorque é, ainda hoje, algo de enigmático para o cidadão comum e para as instituições públicas que dificilmente encontram um significado para esta atividade. As entrevistas aos writers e as suas histórias pessoais permitem-nos entender as dualidades presentes neste ato, a realidade de uma cultura urbana que oscila frequentemente entre a arte e a ilegalidade.

Realização: Pedro Fidalgo
Colaboração: Laboratório de Antropologia Visual do CEMRI-Universidade Aberta

Uma produção Bacalhoeiro Audiovisuais
para GRRAU / EP

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O Pixo na 29ª Bienal de Artes de São Paulo - Entrevista com o curador Moacir dos Anjos

Posted by | Posted in , | Posted on 17.4.10

Quem diria? A pixação estará na Bienal, aceita como arte! Nunca pensei que isso aconteceria tão cedo e, para falar a verdade, achei que nunca iria acontecer. Mas parece que esse grupo específico de pixadores (porque não são todos) conseguiu o que parecia impossível. Deram status de arte ao pixo.
Respeito muito esse movimento legítimo de São Paulo, acho que é um passo marcante, mas não dizer se para frente ou para trás. Ainda tenho que organizar meus pensamentos, discutir com outras pessoas e refletir muito antes de dar uma opinião mais contundente.


Leia a entrevista feita com o curador da 29ª Bienal Arte de São Paulo, Moacir dos Anjos:

Reportagem retirada de Folha Ilustrada. Por Fernanda Mena.

Acusados de vandalismo e terrorismo, os líderes do grupo que invadiu e pichou o andar vazio da Bienal de São Paulo em 2008 vão entrar na 29ª edição, em setembro, da mostra com credencial de artista. A participação foi confirmada à Folha pela curadoria, que descreveu os pichadores como "artistas brilhantes", apesar de "tratados como marginais".

Com isso, a Bienal entra num fogo cruzado daqueles que tomaram partido de invasores ou de invadidos, e que agora polemizam sobre a iniciativa. É demagogia? Legitima uma ação destrutiva? Coopta uma vanguarda transgressora? Para o curador Moacir dos Anjos, a aposta não é em respostas fáceis, mas justamente na elaboração de questões.Leia, a seguir, íntegra da entrevista concedida pelo curador-geral da mostra à Folha

Folha - Por que incluir os pichadores da 28ª Bienal na 29ª edição do evento?
Moacir dos Anjos - Em primeiro lugar, é preciso deixar claro que nosso intuito não é incluir 'os pichadores da 28ª edição'. Não se trata de um pedido de desculpas ou de um confronto com a edição anterior do evento. O que realmente queremos incluir na presente edição da Bienal é a pixação, ou simplesmente o pixo, com 'x' mesmo, grafia usada por seus praticantes para diferenciar o que fazem hoje em São Paulo das pichações político-partidárias, religiosas, musicais, ou mesmo ligadas à propaganda que há vários anos enchem os muros e paredes da cidade, a despeito do quão 'limpa' ela queira apresentar-se. E queremos incluí-lo porque achamos que o pixo borra e questiona os limites usuais que separam o que é arte e o que é política. E essa é uma questão que interessa muito ao projeto curatorial da 29ª Bienal.
Lembro que política é aqui entendida não como espaço de apaziguamento de diferenças, mas justamente o contrário. Ou seja, como o espaço formado pelos atos, gestos, falas ou movimentos que abrem fissuras nas convenções e nos consensos que organizam a vida comum. Ou seja, como bem coloca o filósofo francês Jacques Rancière, política entendida como esfera do "desentendimento".
Essa é uma questão que, evidentemente, envolve uma série de dificuldades para que essa aproximação não se dê somente na superfície e, portanto, escamoteando as diferenças existentes, situação que não interessaria nem a nós nem aos pixadores. A nossa aposta é em descobrir formas novas de tratar do assunto com integridade de ambas as partes, sem que instituição e pixadores cedam completamente ao universo da outra. 

Folha - Como você avalia o episódio da invasão da 28ª Bienal por pichadores e a reação da instituição?
Dos Anjos - A invasão foi, sem dúvida, uma provocação e um protesto frente a uma situação de exclusão a que aqueles que a protagonizaram (os pixadores) são submetidos em seu dia-a-dia em várias instâncias da vida comum na cidade de São Paulo e, no caso particular, do meio institucional da arte. Não estou com isso dizendo que a endosso, mas que é assim que a entendo.
A resposta da instituição naquele momento foi, a meu ver, inadequada, pois reduziu o incidente, seja pelas ações que tomou seja pelas que deixou de tomar, a um caso policial. Se é verdade que houve infração de regras e de leis por parte dos pixadores, não existiu o esforço necessário, por parte de uma das maiores e mais importantes instituições culturais do país, de entender as razões do ocorrido. Acho que essa postura não faz jus ao importante protagonismo público que a Bienal pode exercer na cidade e no Brasil, gerando conhecimento novo sobre o assunto. 

Folha - O convite/a participação do picho na Bienal é um atestado, portanto, de que a 28ª Bienal errou? Por quê?
Dos Anjos - Não é intenção da curadoria, em absoluto, incluir o pixo para 'reparar' um suposto erro cometido pela Bienal no passado. Como também não é intenção da curadoria 'cooptar' o pixo para evitar novos conflitos que poderiam eventualmente se repetir. Entendemos que a situação é outra, e nosso objetivo é atuar, nesse novo contexto, da forma que achamos mais coerente tanto com o projeto curatorial da mostra quanto com a visão que temos do lugar do pixo da teia cultural da cidade. 

Folha - Isso não é demagogia?
Dos Anjos - Seria demagogia se estivéssemos simplesmente convidando pixadores da mesma forma que tantos outros artistas estão sendo convidados. Mas nós sabemos que essa igualdade não existe, e eles evidentemente também sabem. O que nos interessa é justamente tentar entender essas diferenças, e os limites e as possibilidades dessa aproximação. E é isso que também acho que interessa aos pixadores. Ninguém está tentando escamotear nada. Tudo está sendo feito às claras. A aposta é na explicitação de questões, não no oferecimento de respostas fáceis. E como as questões precisam ser melhor formuladas tanto por nós, pertencentes ao chamado 'campo da arte', quanto pelos pixadores, nosso empenho é demonstrar que a Bienal de São Paulo pode ser plataforma privilegiada para a formulação dessas questões. Se conseguirmos ao menos isso, acho que já teremos dado uma contribuição relevante para o início de um debate mais amplo e consequente sobre o assunto. 

Folha - Como se deu a aproximação entre pichadores e a atual curadoria?
Dos Anjos - Os eventos de 2008 tiveram o mérito de fazer com que muitas pessoas e instituições se empenhassem na tentativa de entender o que estava implicado no episódio. O Ministério da Cultura, por exemplo, buscou estabelecer um diálogo com o grupo de pixadores envolvidos, empenhando-se em tentar entender as complexas razões que levaram ao surgimento dessa gigantesca cena do pixo em São Paulo. Acho que esse movimento foi importante na preparação para uma conversa menos tolhida por preconceitos mútuos entre a Bienal e os pixadores.
O anúncio de que a 29ª Bienal teria como foco a questão da relação entre arte e política foi o outro elemento-chave que levou os pixadores a fazerem o primeiro contato buscando estabelecer uma conversa, posto que entenderam que haveria ali uma possibilidade de dar visibilidade a questões que foram (e ainda são) muito mal entendidas pela maioria da população. O papel da curadoria, nesse processo, é justamente propor estratégias de inserção do pixo na exposição que, contudo, não o "domestiquem", tornando-o algo passível de fácil inserção em um mercado sedento por novidades para serem vendidas. 

Folha - Como essa aproximação foi vista pela Fundação Bienal? Houve algum tipo de objeção inicial? Caso tenha havido, como foi contornada?
Dos Anjos - A direção da Fundação Bienal não interfere nas escolhas e nas estratégias da curadoria da mostra, agindo sempre de modo respeitoso e depositando confiança nos curadores convidados para a realização do evento. Nós curadores, por outro lado, temos a medida de nossa responsabilidade quando propomos questões passíveis de gerarem desconforto ou polêmica. Temos absoluta certeza, contudo, que é exatamente esse o papel de uma Bienal de arte: criar fissuras nos entendimentos estáveis do que é ou do que pode ser arte. Independentemente do foco temático da presente edição, creio que a Bienal de São Paulo tem a obrigação de, nesse sentido amplo, ser sempre política. 

Folha - De que maneira os pichadores se encaixam no projeto curatorial de arte e política?
Dos Anjos - O pixo é uma manifestação visual que traz, embutida nas práticas dos pixadores e nas imagens que eles criam sobre os muros e edifícios da cidade, uma visão de mundo que simplesmente não cabe nos acordos que regem e limitam a vida comum na cidade de São Paulo. E apesar disso o pixo está aí, cobrindo toda superfície de parede disponível, forçando sua passagem em um país cujas elites ainda preferem ignorar as graves fraturas sociais que existem. Dando visibilidade a algo que de outro modo não seria visto. E falando de algo que, não fosse justamente pela grafia aparentemente cifrada que os pixadores usam, dificilmente seria dito. Nesse sentido, pixo é política. E nesse sentido, é arte também. 

Folha - Picho, então, é arte?
Dos Anjos - Nesse sentido em que falei, sim. Na verdade, a questão a se fazer é outra, que poderia ser formulada nos seguintes termos: Se o pixo é exposto numa galeria ou numa Bienal, permanece sendo arte? É com essa aparente contradição que teremos que lidar na 29ª Bienal. Pois se o que faz o pixo ser arte é justamente o fato dele desconcertar nossos sentidos e nos fazer admitir, mesmo quando estamos no conforto de nossos carros ou da janela de um apartamento alto, que existem outros modos de entender e de inventar o mundo, o que acontece se o pixo é trazido para o ambiente controlado, conhecido e decodificado do chamado 'campo' da arte? Ele mantém a sua potência ou se torna mera ilustração ou lembrança de si mesma? É esse desafio que curadores e pixadores tem que enfrentar juntos, de modo que ultrapassem duas situações simétricas e igualmente indesejadas: por um lado, a simples rejeição ao que causa desconforto; por outro, o desejo de cooptar o diferente para torná-lo igual a nós mesmos. 

Folha - Mas picho também não tem um aspecto de vandalismo?
Dos Anjos - De uma perspectiva meramente legalista, a resposta obviamente é sim. Porém, essa é uma maneira de ver a questão que mais esconde do que revela. Afinal, o grafite também ocupa espaços na cidade que não são propriedade dos grafiteiros, e nem por isso estes são criminalizados de modo tão inequívoco como os pixadores. Na verdade, como bem sabemos, muitos grafiteiros são hoje considerados artistas, tendo seus trabalhos expostos em museus e vendidos em galerias de arte. O que produz essa diferença de percepção? Arriscaria dizer que é a opacidade do pixo em relação à transparência do grafite. Ou seja, que é o incômodo causado por algo que não se deixa apreender por códigos conhecidos, quando comparado ao conforto sentido quando se depara com uma imagem reconhecível e produzida por uma prática autorizada, como é hoje a dos grafiteiros. 

Folha - A participação reforça a passagem, cada vez mais comum, da arte de rua para as galerias? Quais os prós e contras dessa passagem?
Dos Anjos - Se o resultado da participação do pixo na Bienal de São Paulo for reforçar essa passagem "da rua para as galerias", teremos fracassado inteiramente em nosso intento. Não é isso que queremos, ainda que fazer essa travessia possa melhorar materialmente a vida dos pixadores que a façam. Mas então o que se fará não será mais pixo, mas apenas uma representação gráfica do pixo. Aqui, como em tudo na vida, é preciso fazer escolhas. E escolhas têm consequências. Por isso que não queremos impor aos pixadores formas de participação do pixo na Bienal. Queremos construir juntos essas formas de participação. Mas de antemão já sabemos, curadores e pixadores, que trazer o pixo como mera expressão gráfica que se vale de um suporte bidimensional para dentro do prédio da Bienal não interessa, não resolve coisa alguma. Esse seria o caminho mais curto para destituir o pixo de sua força transgressora e de sua originalidade. Interessa-nos mais descobrir formas de compreender e de ativar, a partir da Bienal, os significados do pixo na cidade de São Paulo. Para tanto pretendemos fazer uso de estratégias diversas de documentação (fotografias, vídeos, coleções de tags) e de discussão. Estratégias que não se confundam com o pixo propriamente dito, já que esse só existe como tal nas ruas, mas que evoquem, desde o interior do mundo da arte, o fato de que nem tudo que é arte a Bienal é capaz de abrigar ou de entender plenamente. 


Você é contra ou a favor do pixo na Bienal, reponda aqui.
Quando eu respondi os contrários ao pixo estavam ganhando de goleada. Que novidade, não é?

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Gravuras de Presto - Making Of

Posted by | Posted in | Posted on 15.4.10



Achei legal compartilhar essa técnica de gravuras feitas pelo Presto.
Clique aqui para ver ais fotos desse making of.

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Projeto 100 Muros Mil Cores

Posted by | Posted in , | Posted on 9.4.10



Vídeo sobre a cobertura televisiva do projeto 100 Muros Mil Cores realizado 20 e 21 de novembro de 2009.

Sem entrar no mérito, mas já perceberam como toda a sociedade/mídia usa o graffiti contra a pixação? Colocando os dois em conflito explícito… E esse vídeo retrata isso. É de se pensar.

Sobre o evento:
"Realizado nos dias 20 e 21 de novembro de 2009, em Ceilândia-DF, o Encontro Brasileiro de Grafiteiros promoveu debate, oficina, show e a criação de painéis. O Encontro teve a participação de artistas grafiteiros, professores de grafite, autoridades do legislativo, do judiciário e do executivo. As oficinas tiveram como objetivo orientar a formação de grupos de trabalho e subsidiar a preparação de material para a criação de um grande painel artístico na cidade. Mais de 100 muros foram grafitados nas quadras QNN 18, 20, 22, 24 e 26."
Fonte: 100murosmilcores.blogspot.com

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Expo Colex - Mostra Internacional de Sticker Art

Posted by | Posted in , | Posted on 5.4.10

QUANDO E ONDE:
Agosto 2010
Local: aFASE!
Fone: (13) 3321-9928
Santos - SP, Brasil


PARTICIPE:
• Sorteio de 15 DVDs TVColante! (10 TVC Temporada 2009 e 5 TVC Temporada 2008)
• 30 participantes receberão sticker packs de presentes!

Envie junto do seu sticker pack:
Nome / E-mail / Site / Endereço

Envie seus trabalhos para:
Expo Colex
Rua Oswaldo Cruz, 152 / 33
CEP: 11045-100 - Boqueirão, Santos, SP, Brasil.



Organização: vinil.org
Apoio: TVC e aFASE!
Maiores informação: vinil.org

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Ttsss... A grande arte da pixação em São Paulo, Brasil - Pixação, the vastest art, São Paulo, Brazil

Posted by | Posted in , , | Posted on 2.4.10

















Quem ergue a vista para os céus de São Paulo encontra um verdadeiro jardim suspenso de Babel. Naquelas pichações - ou pixações, com um 'x' eleito pela linguagem nas ruas -, há um decifra-me ou te devoro permanente. As 'gangues' e 'grifes' têm as suas tipografias próprias, como se fossem os novos Gutenbergs do caos urbano. Enquanto a polícia e o Estado lêem estes 'rabiscos' como vandalismo, este livro, organizado por Boleta, traz fotos do arquivo de João Wainer, de Boleta, além de um pequeno alfabeto, textos de Xico Sá e Pinky Wainer.

Baixar o livro Ttsss...(Rapidshare / PDF / 8MB)

Fonte do Download: Magrelus Blog

Abaixo, um vídeo promocional do livro:


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Os Gemeos em 1997

Posted by | Posted in , | Posted on 2.4.10



Este vídeo foi realizado por Raven e Sonik que vieram ao Brasil em dezembro de 1997 para fazer uma reportagem sobre o graffiti brasileiro para a sexta edição da 12ozProphet, revista editada por eles. A intensão era apresentar Os Gemeos para o mundo através da revista. O vídeo é uma edição dos registros feitos na época e que se pensavam estarem perdidos, mostra pequenos trechos de um rolê dos escritores de graffiti Os Gêmeos. É um excelente documento para a história do graffiti. Raridade!

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Loveletters by Ironlak

Posted by | Posted in , | Posted on 1.4.10



Painel da crew LoveLetters patrocinado pela Ironlak.
Escritores de graffiti participantes:
Does, Nash, Tumki, Chas, Rusl, Dater, Ozer, Biser, Sean2, Dare.

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Tributo ao escritor de graffiti Dare (TWS) - Scien, Persue e Klor

Posted by | Posted in , | Posted on 1.4.10


DARE Tribute - SCIEN x PERSUE x KLOR from Mike Limestro on Vimeo.
DARE (TWS) Tribute done in San Diego, California by SCIEN x PERSUE x KLOR.
R.I.P. DARE - "A LEGEND NEVER DIES..."

Tributo ao escrito de graffiti Dare (TWS) feito em San Diego, California por SCIEN, PERSUE e KLOR.

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Escritor de Graffiti - Does (Holanda)

Posted by | Posted in , | Posted on 1.4.10

Veja o perfil de DOES (fonte: Ironlak)



NOME: Does.

CREW: LoveLetters Crew.

INÍCIO NO GRAFFITI: 1997.

LOCAL: Sittard, Holanda.

WEBSITE: www.digitaldoes.com / www.myspace.com/digitaldoes / http://www.fotolog.com.br/doesone

HERÓIS: Há muitos grandes escritores de graffiti que me inspiram. Por exemplo: Ecb, Dare, Daim, Toast, Zedz and Delta. Além disso, eu gosto de graffiti old school. Produções e pieces de Nash, Shoe, Delta, Mickey, Puppet, Won, Seen e Dondi ainda são impressionante.

COR IRONLAK: Dieci Does.

POR QUE IRONLAK É SUA ARMA ESCOLHIDA?
Sinto-me honrado por fazer parte da equipe Ironlak de escritores de graffiti. Ironlak respira ambição e me satifaz muito bem.




HISTÓRIA:

Does que se origina a partir da terceira pessoa do singular do verbo "to do" (He does / Ele faz). A primeira vez que usei este nome foi quando comecei a desenhar em 1996, eu tinha 14 anos na época. Em 1997 fiz meu primeiro piece com latas de spray. Como eu comecei a notar que havia muito poucos escritores de graffiti ativos no meu bairro, eu comecei a desenvolver um interesse real em graffiti e arte. Então comecei a explorar a cidade e, finalmente, eu descobri todos os picos de graffiti.

Em 2006 iniciei a crew Love Letters. Love Letters é um colectivo criativo de 10 escritores de graffiti europeus da Alemanha, Suíça, França e Holanda. Todos os membros evoluíram de escritores de graffiti para artistas e deisgners criativos. Suas atividades atuais incluem design gráfico, webdesign, tatuagens, fotografia e muito mais. Até pouco tempo atrás eu era um jogador de futebol profissional. Devido a uma grave lesão no joelho fui forçado a desistir dessa carreira. Agora estou dedicando muito tempo para começar meu próprio negócio e comecei a viajar por todo o mundo devido a vários projetos de arte.

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Quilombaque leva intervenções culturais até a Praça do Panamericano no Jaraguá

Posted by | Posted in , , | Posted on 1.4.10

Em parceria com os grupos Banca EU, S.A.C.I e Arroz Feijão Cinema e Vídeo, o Ponto de Cultura Quilombaque levou para a Praça do Panamericano, no Jaraguá - no último sábado (27/03) - várias atividades culturais, entre elas o break, o cinema e o graffiti. Além da exibição de curtas-metragens de animação para a criançada - que não era pouca -, também teve a palhaça Paçoca fazendo intervenção com perna-de-pau e pirofagia com Robinho. E também teve participação dos grupos Esquadrão dos Anjos (break) e Skate Solidário, de São Bernardo. E em abril vai ter muito mais arte para agitar o bairro e a comunidade.



















Crédito fotos: ONG Skate Solidário

Confira o artigo original no blog da Comunidade Cultural Quilombaque.

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